Projeto Radamés

26/04/2019 11h30 - Atualizado em 14/05/2019 22h46

Em 2018, a FAMES colocou em funcionamento o curso de graduação Bacharelado em Música Popular, ampliando seu leque de oferta de cursos de ensino superior em música, ao lado do Bacharelado em Música instrumento e canto, e a Licenciatura em Música.

Apesar das categorias musicais como música erudita e música popular delimitarem certas modalidades do fazer musical na cultura ocidental, os artistas tendem a transitar com desenvoltura entre esses universos num processo contínuo de resgate, construção, cristalização e projeção da cultura e da música para além de qualquer baliza.

O Projeto Radamés – Erudito e Popular, pretende fomentar a mútua cooperação entre os atores (discentes, docentes, grupos oficiais) dos cursos de graduação da FAMES mirando na experiência do compositor brasileiro Radamés Gnattal (1906-1988), cuja obra reflete o pleno exercício do potencial criativo das linguagens comumente atribuídas à música erudita, de uma lado, e à música popular, de outro.

Especificamente o projeto pretende promover um conjunto de atividades que permitam uma imersão na obra Concerto Carioca n. 3, de Gnatalli, envolvendo a troca de conhecimentos de performance, musicologia, arranjo, orquestração e regência. Esta obra do compositor Radamés Gnattali foi escrita nos anos de 1972-73 originalmente para sexteto solista (2 pianos, guitarra, acordeão, baixo e bateria) e orquestra sinfônica. Integram a orquestra 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes (Sib), 2 fagotes, 4 trompas (F), 4 trompetes (Sib), 4 trombones, 1 tuba, tímpanos, pratos, caixa, bumbo, violinos 1 e 2, violas, violoncelos e contrabaixos.

A estreia deste concerto ocorreu no ano de 2014 com o grupo Quatro a Zero e convidados, fruto de anos de pesquisas do grupo sobre a obra do compositor. O guitarrista e o baterista do grupo, durante as pesquisas de mestrado e doutorado, realizaram estudos musicológicos sobre esta e outras obras do compositor.

A imersão aconte em dois momentos, sendo o primeiro na semana do 23 de abril de 2019 e o segundo em outubro. No primeiro momento o grupo Quatro a Zero fará um workshop compartilhando suas pesquisas a respeito da transposição da linguagem do regional de choro e da banda de música para o quarteto de guitarra, baixo, piano e bateria.

Desta forma, os músicos irão discorrer sobre como o contrabaixo se inspira no violão de 7 cordas e na tuba, como a guitarra e o piano adaptam as células rítmicas do cavaquinho e do violão de 6 cordas e como a bateria incorpora ideias vindas do pandeiro e da percussão. Em um segundo momento, o grupo irá expor sua história com a música de Radamés Gnattali, as principais referências do compositor, a adaptação da Suíte Retratos para a formação de quarteto, o resgate, estreia e gravação do Concerto Carioca 3 e alguns resultados das pesquisas musicológicas de seus integrantes.

O Quatro a Zero, com pleno domínio musical da partitura, propõe uma redução dos solistas, de sexteto para quarteto, em que subtraem-se um piano e o acordeão, sem haver perdas sob os aspectos musical ou estético. Com este iniciativa o grupo busca viabilizar a execução deste concerto, sob os aspectos de produção, logística e financeiro.